Entrevista - Tony Garrido

O Cantor do Cidade Negra fala sobre os novos planos da banda, internet, e o o filme "Orfeu do Carnaval" de Cacá Diegues, no qual ele faz o papel de Orfeu.

Fiquei sabendo que vocês estão fazendo remixes DUB das músicas do Cidade Negra?

     É uma idéia antiga da banda, fazer DUB, que é a essência do Reggae. O DUB é o não-compromisso com o nada, só com o sentir... é totalmente relacionado ao feeling e não tem linguagem, não tem cor, ou  uma coisa específica que você tem que mostrar. Não é uma música que tem que tocar em rádio, você só se preocupa em viajar...Essa é a idéia.. mas se viajar demais as coisas não ficam muito objetivas, então, tem que trabalhar o som suficiente pra poder ter a hora de viajar mesmo, ou seja, não ter objetividade nenhuma....

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Quem Vocês chamaram pra fazer os Remixes?

     Os remixes pra DUB estão sendo feitos por uma galera que a gente sempre sonhou, um pessoal que a gente sempre ouviu.. Mad Professor, Sly&Robbie, Linton Kweesi Jonhson. poetas e pessoas envolvidissimas com o DUB. Uns a gente está conseguindo, outros não...

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E a Internet ?
     Essa semana eu estou achando que vou finalmente passar a acessar, pois eu tenho um computador em casa mas fui traumatizado por ter estudado Basic, Fortran, que era alfanumérico,logaritmico,horrível... Até eu acreditar que Windows fazia milagre, foi uma grande mudança. É a mesma coisa que abrir o coração, porque facilita, né? Até minha filha, de repente, vai poder mexer no computador...
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 E o Orpheu?
     Ah!o Orphex!... Legal pra caramba, é uma coisa que eu sempre quis fazer também. Tudo começou com treze anos quando eu comecei a fazer teatro e  comecei a conhecer gente ligada às artes... Eu cheguei até a participar de uma montagem que durou três anos e acabou não acontecendo - Acho que vou ter que fazer análise um dia pra resolver isso - mas quando  eu optei por música ficou mais difícil... Você sabe, conhecemos tantas amigas nossas que fazem teatro, trabalham na produção dos shows da gente, enquanto nós fazemos trilha pra peça delas, e assim por diante. O Cinema é uma coisa que eu acho maravilhosa. Das artes de representar, eu acho o jeito mais moderno de fazer... Me interessa essa modernidade do fazer, quer dizer, conservar a simplicidade do atuar com a modernidade do fazer. É algo que eu estou envolvido e naturalmente vou me envolver mais. As pessoas perguntam se eu vou trocar a música pelo cinema... Não se troca, se adquire, né cara. Quem sabe daqui a um tempo eu não vou ser um músico, ator, produtor de cinema, Por que não?
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